8 de set de 2011

As Inviáveis que se Viabilizaram

ORGULHO DE SER PUBLICITÁRIO PARAENSE

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Este anúncio aí em cima tem 35 anos (foi publicado na revista Propaganda, agosto, 1976). É a prova de que a audácia paraense pode vencer dificuldades, sendo impulsionada por desafios.

Diz o anúncio no título: “A Mendes era tão inviável em 1961 quanto a Inglaterra em 1941”. O texto: “Esta frase foi dita por Oswaldo Mendes num momento em que contava a história da sua agência. Uma agência que deu certo, assim como a Inglaterra. A alegria da J. W. Thompson na festa de 15 anos de sua correspondente: Mendes Publicidade.”

Hoje a Mendes pertence ao fechadíssimo grupo de apenas 10 agências de publicidade com 50 anos de atividade no Brasil. Completou os cinquentinha ontem, 06/09. Deixei propositadamente este comentário para hoje, Dia da Independência, porque acho que o trabalho da Mendes, especialmente naqueles tempos pioneiros, heroicos, tem muito a ver com a independência criativa e de produção hoje existente na propaganda paraense. A Mendes sempre foi um centro irradiador de conhecimento, de competência, pelas ruas de Belém. Eu tenho orgulho de ter lá trabalhado (na década de 1970) e recebido a melhor formação que um profissional pode receber. Já disse isso muitas vezes nestas linhas virtuais.

Não tenho a entrevista original que inspirou a JWT no anúncio acima, mas o Mendes contou esse episódio em entrevista ao jornalista Rafael Sampaio, da revista About, na edição de Outubro/Novembro do ano passado:

“Já contei essa história: em 1961, a J. Walter Thompson, a maior agência em funcionamento no Brasil, estudava abrir algumas filiais no País e encomendou um estudo sobre os mercados, um deles o Pará. O estudo concluiu desaconselhando a abertura dessa filial, por falta de mercado. Nós não sabíamos desse estudo e estávamos abrindo a Mendes no mesmo ano. A Thompson tinha um cliente que exigia a sua presença no Pará, Pepsi-Cola, o que levou o seu presidente, Renato Castelo Branco, a visitar a cidade e conhecer a Mendes. Fez um acordo operacional conosco e me revelou a história da pesquisa. A Mendes era tão inviável em 61 quanto a Inglaterra 20 anos antes, fustigada pela Alemanha prestes a invadi-la. Foi o tema de um anúncio da Thompson homenageando a Mendes. Eu costumo dizer que nós reinventamos uma desprestigiada lei econômica, segundo a qual a oferta cria a própria procura.” A entrevista completa está aqui.

Para você ter uma ideia do mercado publicitário local daqueles idos de início da década de 60 do século passado, veja as principais agências de Belém, listadas pelo Anuário de Publicidade de 1960, edição da revista PN (era como que a Exame, da época): ETP – Estúdio Técnico de Publicidade, do sempre lembrado pioneiro José Borges Correa; a Holdridge, do Aldridge Soares, provavelmente a mais antiga agência de Belém; a LM Publicidade, de J. Lassance Maya; a Mercúrio Publicidade, onde também trabalhei, já nos anos 1980, que naqueles tempos tinha como sócios Abílio Couceiro e José Severo de Souza; e a SM Santos Mendes Publicidade, de Oswaldo Mendes e Avelino Henrique dos Santos, fundada em 5 de novembro de 1956, a que apresentava a maior lista de clientes e que viria a dar origem à Mendes, no ano seguinte. A história está contada na entrevista de Oswaldo Mendes no link acima.

Entendo que muito além de ser uma simples empresa, a Mendes Comunicação é uma instituição. Uma instituição que orgulha o Pará, reconhecida no Brasil e no exterior: 671 prêmios, sendo 220 internacionais (dados de janeiro, já deve ser mais que isso).

Este ano conquistou a quinta estrela na sua marca.

Fernando Jares Martins.

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